31 maio, 2006

Buzo

INFORMATIVO CULTURAL DO ESCRITOR “ALESSANDRO BUZO”

www.suburbanoconvicto.blogger.com.br

SUBURBANO CONVICTO PRODUÇÕES
Contrate grandes nomes do Rap Nacional com a gente, para qualquer lugar do Brasil.
Shows dos grupos............
EXPRESSÃO ATIVA - THAIDE - DE MENOS CRIME - TRIBUNAL MC'S - FILOSOFIA DE RUA - OS GUERREIROS - DUDU DE MORRO AGUDO (RJ) - FIELL (RJ) - VIELA 17 - HORUS - SPAINY & TRUTTY - DI FUNCÃO - CLÃ NORDESTINO - SEXTO SELLO - WALTER LIMONADA - REALISTAS NPN (MG) - MATERIA RIMA - ENGANJADUZ - ALERTA VERMELHO - FATO CRIMINAL - VOZES DO GUETO (RJ) - LÉO DA XIII (RJ) - DCM

Suburbano Convicto Produções
Fone/Fax: (11) 6567-9379 Cel. (11) 8218-7512
Com Alessandro Buzo
alessandrobuzo@terra.com.br
MSN: buzoenraizados@enraizados.com.br

PALESTRAS DOS ESCRITORES.
Alessandro Buzo, Sérgio Vaz, Sacolinha.
E do historiador do hip hop, KING NINO BROWN.

Alessandro Buzo é colunista de site de hip hop em PORTUGAL.

Acesse: www.xlrap.net

E confira..........

Clique em CRONICAS para ler coluna e em CONTACTOS para ver perfil do Buzo.

Lançamento dos livros de Alessandro Buzo neste sábado em Goiás.

No próximo sábado (03/06) Alessandro Buzo lança seus 2 ultimos livros (Suburbano Convicto – O Cotidiano do Itaim Paulista) e (O TREM – Contestando a Versão Oficial) em Goiânia, o evento rola na Creche Goiânia Viva e quem organiza é o DJ FOX, inf: djfoxdj@hotmail.com

Foi um sucesso a nona edição do evento “FAVELA TOMA CONTA” organizado pelo escritor Alessandro Buzo, em plena semana de crise de segurança em SP (foi dia 21/05), tivemos 12 horas de hip hop e paz.

Apoio: Secretária Estadual de Cultura, Rap Brasil, 105 FM, CONDUTA, Portal Rap Nacional e Movimento Enraizados.

Passou por lá SérgioVaz e os poetas da Cooperifa, Nino Brown com homenagem a James Brown nas pick Ups e os grupos EXPRESSÃO ATIVA, DI FUNÇÃO, CLÃ NORDESTINO, HORUS, SPAINY & TRUTTY, REALISTAS NPN (MG), TRIBUNAL MC’S, FIELL (RJ), DA BAIXA (RJ), ANA PAULA_A LIGA, VISÃO URBANA, D’ELEMENTOS, GUERRILHA URBANA, CARLÃO, DCM, CONEXÃO POPULAR e REVÉS.

Do meio dia à meia noite, de graça, na rua.

Realização: Suburbano Convicto Produções.

ALESSANDRO BUZO idealizador e apresentador.

CONTATO: Fone/Fax (11) 6567-9379 / 8218-7512

MSN: buzoenraizados@enraizados.com.br

alessandrobuzo@terra.com.br

Novidade

Clique no link abaixo e confira a programação maio/junho de 2006 da Ação Educativa:
http://www.acaoeducativa.org.br/base.php?t=programacao


A ÚLTIMA DOSE

Só depois do último copo
De carregar a última cruz
De discutir o único voto
E de apagar a última luz.
Só depois da saideira
Da última canção
De arrancar a última nota
Da carteira e do violão.
Só depois da última dose
De sorrir o último sarro
E de amargar a última cirrose.
Só depois do último gol
De sambar com a única dama
Ser tema do último show
E de pendurar a última Brahma.
Só depois de extorquir a última graça
De relembrar a última festa
De esquecer a última desgraça

E de esperar pela próxima sexta.
Só depois de cerrar a última porta
De trançar numa única perna
De girar os olhos na última volta
E de beijar a última brasa
É que eu vou me perguntar
Se estou indo pra casa
Ou se estou saindo do lar.

Sérgio Vaz














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30 maio, 2006

Cooperifa

SARAU DA COOPERIFA APRESENTA:

Nação Hip-Hop Brasil Vol. 1
Quarta feira 31/05

O sarau da cooperifa nesta quarta feira estará recebendo a galera da Nação Hip Hop Brasil para o lançamento do CD que será distribuído gratuitamente. O CD é uma inédita coletânea que conta com 15 grupos de 12 estados brasileiros de todas as regiões do país.

Produção executiva: Aliado G
Produção grafica: Toni C.

29 maio, 2006

Livros

Atenção para estes livros:

A poesia dos Deuses inferiores – Sérgio Vaz – Edição do autor
Informações:
poetavaz@ig.com.br

Presídio da Alegria – Sucursal do Inferno – João Pomelli – Edição do autor
Informações: (11) 4742-6299

Suburbano Convicto – Alessandro Buzo – Editora Edicon
Informações: (11) 6567-9379

Graduado em Marginalidade – Ademiro Alves (Sacolinha) – Editora Scortecci
Informações:
sacolagraduado@bol.com.br

Vão – Allan Santos da Rosa – Edições Toró
Informações:
santosdarosa@ig.com.br

A menina e a barata – Paulo Maurício – Edição do autor
Informações: (11) 4741-2656

Cadernos Negros vol. 28 – Contos – Vários autores – Editora Quilombhoje
Informações: (11) 6232-4211

Livretos de Cordel – Vários - Moreira de Acopiara – Edições do autor
Informações: (11) 4072-2749


De passagem mas não a passeio - Dinha - Edições Toró
Informações: (11) 9969-1010

Conto inédito

Incógnita

Hoje fui ao centro da cidade. Andando e vendo as vitrines, notei meu reflexo nelas e não reconheci a mim mesmo. Estava transfigurado, baixei a cabeça e continuei andando.
Sentei no banco da praça, os pombos voavam pra lá e pra cá, tudo estava normal, mas não comigo: eu sentia uma perturbação… um incomodo… uma...
Levantei, não conseguia ficar parado, pois meus devaneios me pegavam de assalto, me arrebatavam a um lugar frio e solitário, não... não consigo ficar parado. Caminhei em frente à santa sé, olhei o campanário, por alguns segundos pude vê-lo até que o sol ofuscou meus olhos; engraçado, eu quase estou acostumado com isso, o brilho... o brilho sempre ofusca minha retina... tudo é tão nítido que eu não enxergo, tudo é tão claro que eu não consigo ver... sempre foi assim, sempre procurei o escuro para poder enxergar melhor. Ah, que ironia...
Baixei meus olhos e vi o vigário, olhava-me com desdém, o por quê eu desconheço, virei meu rosto e continuei minha marcha para algum lugar e lugar algum.
Gozado, achei que depois de tudo o quê aconteceu eu fosse me desfazer feito fumaça, mas não, estou resistindo. Uma noite já se fora e consegui sobreviver, não me lembro como foi a noite, mas... bem... estou resistindo.
Parei sobre o meio fio, olhei no outro extremo da rua, o sinal ainda estava vermelho, como se refletisse os meus olhos, em chamas, afogueados... verde, os que estavam a minha volta passaram apressados, também atravessei, mas não com pressa, lento, devagar, já não tenho mais pressa, não quero correr.
Repentinamente me bateu novamente aquele desespero, sim aquele desespero igual ao de ontem à noite, igual ao de um minuto atrás… merda, cadê você…? minha respiração acelerou, acelerou mais, mais... agora eu já quase não respiro, sinto algo em minha garganta, algo entalado, um bolo, sei lá... corri, corri tentando deixar para trás meus pensamentos, mas quanto mais eu corria mais eu ficava atormentado...
“Não”, gritei alto, com as mãos na cabeça. Parei na calçada, os transeuntes olhavam para mim com medo, sim eu via o medo estampado em suas faces feias, todo mundo é feio, tudo é cinza… “não”, gritei novamente, eu não quero pensar…
Continuei caminhando, consegui tomar as rédeas de mim mesmo ou não, agora estava inerte pensando em uma solução de como fazê-la voltar, agora parecia um zumbi, inerte… inerte... inerte. A calçada acabou, mas não vi a calçada acabar; ouvi uma buzina e um “sai da rua filho da puta”; parei, senti o vento do automóvel levar minha roupa... olhei para o outro lado da rua, o sinal ficou novamente verde, pude atravessar, apesar de quase ser atropelado, continuava, com o pensamento longe.
Vi você Íris, caminhando em minha direção e um sorriso igual ao da Gioconda desenhou-se em meu rosto, estava ficando próxima, mas... não, não era você... respirei fundo, engoli seco e novamente senti minha garganta apertar; meus olhos, me traindo quiseram expulsar uma lagrima: “não”, disse baixinho a mim mesmo, e olhei para cima para reprimí-la. Um ônibus parou ao meu lado, pessoas subiram e outras desceram; alguém me cumprimentou… quem era? Não faço idéia, não reconheci.
Subi o viaduto, parei no ponto mais alto, justo onde passa a linha do trem, olhei para baixo, os trilhos, os fios, os dormentes, era como se fossem imãs, me atraiam, me chamavam, me puxavam para baixo. Subi na grade e… pulei. A sensação de estar caíndo me fazia sentir bem; posso dizer que este foi o único momento destas vinte e quatro horas, depois do fim, que eu não pensei em você; acho que nem pensei em nada. Caí, senti um forte impacto no corpo todo que durou apenas um milésimo de segundo…
E foi esta a única solução que encontrei para não pensar mais em você Íris. Agora, no escuro, estou bem melhor…

Willian de Lima

Presidente da Associação Cultural
Literatura no Brasil

+ Poesias

Morro das nuvens

No coração das nuvens
A pátria se esconde
Atrás da cortina de madeira.
Mas os homens,
Das casas simples
E almas bravias,
Mantêm as portas abertas
E as vidraças limpas
Para o deleite do amanhecer.
Ferida aberta,
A vida,
Essa nuvem passageira
Cortada em fatias,
Deixa sempre a parte menor
Pra quem acorda
Perto do anoitecer.

Sérgio Vaz
www.colecionadordepedras.blogspot.com

26 maio, 2006

Poesias

LIÇÃO SOBRE A ÁGUA

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, ácidos, base e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

Antônio Gedeão


Poema Tirado de uma Notícia de Jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro
da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Manuel Bandeira

25 maio, 2006

Evento II

Samba e Poesia

Roda de samba intercalada por poesias.

Onde: Centro Cultural de Suzano - Casarão das Artes

26 de junho - 20h
Rua 27 de outubro, 270
Suzano - Centro - S.P
Entrada gratuita

Evento I

LITERATURA DAS RUAS

PUC - SP
APRESENTA:
LITERATURA DAS RUAS
MUSEU DA CULTURA
PROGRAMAÇÃO:

26/05 - 19:00HS - MESA REDONDA I : LITERATURA DAS RUAS

- Daniel Teixeira de Lima (ex-secretário de Cultura de Juquitiba- Prof. História e Geografia)
- Elisabeth Murillo da Silva (Dra. em ciências sociais/Puc-SP-núcleo de estudos do cotidiano e cultura urbana)
- Mc Kall ( estudante de Ciências Sociais)

26/05 (sexta-feira ) 20:hs Mesa Redonda ll : COOPERIFA
- Sérgio Vaz e os Poetas da Cooperifa

Puc-SP
Rua Monte Alegre, 984 Perdizes
Sala s-23 do prédio velho Fone: 3670.8559

Lançamento II

Poetas lançam livro na UNISUZ

Os poetas Cícero Tavares e Renata Pinheiro fazem às 19h30, do dia primeiro de junho (quinta-feira), na Faculdade Bandeirantes - UNISUZ, à ruaJosé Correa Gonçalves, 57 -Centro – Suzano, o lançamento oficial do livro “Versonhos”, de autoria da dupla.
No dia 12 de maio a obra foi autografada no quartel do 32º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana (32º BPM/M). Cerca de 50 pessoas, entre parentes e amigos, prestigiaram o evento que teve ainda uma apresentação do músico Arismar Santos que interpretou ao violão clássicos da MPB e emocionou o público tocando com um pífano, confeccionado com um tubo plástico, o Hino Nacional Brasileiro.
O livro com capa assinada por Celso Lopes e editado por Paulo Maurício tem 70 poemas de Cícero e Renata, prefácio da professora Alba Lúcia Romeiro Tambelli e apoio da Faculdade Bandeirantes (UNISUZ) onde os dois estudam Letras.Renata Pinheiro, de 19 anos, começou a escrever aos 10, e já é bastante conhecida nos meios literários suzanenses. Em 2003 venceu a fase municipal do Mapa Cultural Paulista e defendeu a cidade na regional realizada em Franco da Rocha, com o poema “O Silêncio da Alma”.
Cícero Tavares, 24 anos, começou a escrever há pouco mais de dois anos incentivado por Renata. Seus poemas são dedicados a ela e Tavares afirma que não se considera um poeta, mas “um menino apaixonado”.

Lançamento

Edições Toró tem a enorme satisfação de convidar para o lançamento do livro:

“DE PASSAGEM MAS NÃO A PASSEIO” - Poesia Reunida de DINHA

(E também para o quarto aniversário do NÚCLEO CULTURAL PODER E REVOLUÇÃO)
Sábado, 27/05/06, das duas horas da tarde até mais ou menos umas oito/nove da noite, no MALOCA ESPAÇO CULTURAL.

Edição ilustrada do livro da Dinha, mais uma jóia da Literatura Marginal, na ciranda da guerrilha.
Apresentação de trechos do documentário “Traficantes de Liberdade”, de Paulo Rogério Copolla.

Sarau com um bocado de gente que vai fazendo do rolê algo bem maior e mais bonito do que o medo das fardas e a esperança de salário mínimo no final do mês!
#Presenças de André (Núcleo Cultural Poder e Revolução), Allan da Rosa,
Alessandro Buzo , Cia Efetivo Teatro de Emergência, Dica Marx , Di Menor, Elisandra Souza, Elis Regina, Gorduritchas, Grupo Transtorno, Jonathan Silva, Nego Jeff (Subsolo), Paula Nóbrega, Patrícia Rocha, Pilar , Rodrigo Ciríaco, Sacolinha, Sergio Vaz, Silvio Diogo, Tânia Canhadas e de todo mundo que quiser chegar com o peito fértil e olhos de bem-querer, pra ouvir, versar ou fazer um repente no microfone aberto.

Endereço: Rua Particular, 556, Parque Bristol.(Antigo Centro Comunitário, atual Biblioteca “Livros-pra-que-te-quero”)

Pra quem vem de ônibus:
*Do centro: No Terminal Parque Dom Pedro ou na Praça da República embarcar no ônibus Parque Bristol-4734 e descer no ponto final. Seguir pela Rua Giácomo Gozzarelli, até o Maloca Espaço Cultural que fica dois quarteirões à frente.Na dúvida, perguntar onde ficam as casinhas do CDHU. Como falamos, o Maloca é o antigo Centro Comunitário.

Pra quem vem de metrô:
*Ir até à estação Saúde do Metrô e ali embarcar no Jd.São Savério. Descer no ponto final. Seguir pela Rua Menino de Engenho, sentido Mutirão, entrar na Rua Jardim Bristol, em seguida na Jorge Morais (até o fim) e entrar à direita, na Rua José
Pereira Cruz. Na dúvida, perguntar onde ficam as casinhas do CDHU, pois o Maloca é o antigo Centro Comunitário.

Pra quem vem de carro:
Seguir pela Ricardo Jaffet, sentido Zoológico. Em frente ao Zôo Safári, entrar na Avenida dos Ourives, na Rotatória e depois virar duas vezes à esquerda. Perguntar onde ficam as
casinhas do CDHU, já que o Maloca é o antigo Centro Comunitário. Ou ainda procurar pela Rua José Pereira Cruz, altura do número 41. O Maloca fica no início desta rua.

24 maio, 2006

22 maio, 2006

Debate

JORNALISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO JOGA JOVENS DA PERIFERIA CONTRA A POLÍCIA.
(jornal Folha da são paulo, 22.05 caderno cotidiano C-4)

Veja que absurdo: Na manchete da matéria do jornalista da folha de são paulo, IVAN FINOTTI, EDITOR DA FOLHA TEEN. "NA PERIFERIA, ATAQUE À POLÍCIA É CELEBRADO"
"Jovens dessas áreas de SP não vangloriam PCC, mas comemoraram antendados contra forças que impõem medo a eles". Escreveu o jornalista, e depois segue a matéria.

"Mentira, na periferia não há nada a comemorar, nem à vida e nem a morte de ninguèm". Será que este jornalista sabe o que realmente está acontecendo? será que ele sabe o perigo que é uma manchete dessas, num momento delicado que estamos? ele acha realmente que alguém, na periferia, está comemorando alguma coisa? Qual o real motivo dessa manchete? Não, eu afirmo, ninguém está comemorando nada! não há nada a comemorar! os jovens estão morrendo de medo, de tudo e de todos! Quem deve estar comemorando são os bandidos, os políticos que vão prometer mais segurança nas eleiçoes, as empresas de segurança, as agência funerárias, e sei lá quem mais, menos os jovens da periferia. Estamos trabalhando duro, através da literatura e a criação poética, e essa manchete não nos ajuda em nada. Já não basta o preconceito? Por favor não acreditem nisso! isso é uma mentira! Trabalho com muitos jovens e não ouvi nenhuma afirmação sobre isso! Ao contrário do que pensa o jornalista, os jovens estão é com um tremendo baixo-astral por conta de tudo isso. Peço aos amigos e simpatizantes, que acreditam num país melhor, independentemente de onde moram, que protestem contra esta matéria, e, principalmente, não acreditem nisso, em hipótese alguma.

Indignado,

Sérgio vaz poeta da Cooperifa

21 maio, 2006

Na semana

Oficina sobre a produção de um Romance
27/05 (sábado) - das 14h às 18h Oficina de Romance/Prosa

Romance: Curiosidades, sua produção e técnicas de construção!

Por que escrevemos?

O prazer e o exercício da leitura: livro difícil de ler, insistir ou

abandonar?

Só escreve quem lê.

Técnicas e macetes para a produção de um texto.

Escrever bem não é um dom: aprende-se a redigir.

O processo de criação de um romance.

Coordenação: Ademiro Alves (Sacolinha), escritor, autor do romance “Graduado em Marginalidade”, e do livro de contos “85 Letras e um Disparo”. É graduando em Letras pela Universidade de Mogi das Cruzes.


Serviço:
Inscrições: R$ 10,00
Ação Educativa
Centro de Juventude e Educação Continuada
Rua General Jardim, 660 - CEP: 01223-010
São Paulo - S.P
(11) 3151-2333 ramais 153, 165, 171
centro@acaoeducativa.org
www.acaoeducativa.org



Terça (23) 20h - Palestra: "Leitura dinâmica funcional e memorização"

Aprenda a ler 100% mais rápido e compreenda 100% do texto.
Coordenação: João Bastos
Local: Centro Cultural de Suzano
Rua Benjamin Constant, 682 - Centro
Gratuito
90 lugares

19 maio, 2006

Últimas notícias

Atenção, as inscrições do 2° Concurso Literário de Suzano vão até o dia 31 de maio.
Saiba como se inscrever retirando o regulamento no site da Prefeitura de Suzano, no link: agenda cultural.
www.suzano.sp.gov.br

Confirmado...

Dia 08 de agosto (terça), lançamento do 2° livro do escritor Sacolinha. "85 Letras e um Disparo", um livro de contos e com prefácio de Moacyr Scliar.
Local: Centro Cultural de Suzano



27 de maio (sábado), das 14h às 18h - Oficina sobre a produção do "Romance".
Coordenador: Ademiro Alves, o Sacolinha.
Local: Ação Educativa



Cooperifa em Suzano

24 de junho - às 20h
Local: Centro Cultural Suzano



Associe-se á Associação Cultural Literatura no Brasil
Fone: (11) 9743-7129
literaturanobrasil@bol.com.br
E na terça-feira (23) reunião no Centro Cultural de Suzano


Próximo Pavio da Cultura (Sarau)

10 de junho (sábado) - 20h
Centro Cultural de Suzano

Virada Cultural


SARAU DA COOPERIFA NA PINACOTECA

19hs -Sarau da Cooperifa

22hs- Apresentação dos grupos Periafricania, Versão Popular e Banda Preto Soul

dia 20 de maio de 2006 (sábado)

Atenção: haverá ônibus saindo do Zé Batidão e do Bar do binho às 16hs.

Pinacoteca do Estado Pça da Luz, 2 – metrô Luz
fone 11 3229 9844
www.colecionadordepedras.blogspot.com

17 maio, 2006

Nova Crônica

Pcciiiiu e buum, São Paulo calou

Marco Pezão

Tivessem efetuado os disparos em direção às assembléias legislativas, congresso nacional, palácio da alvorada, palácio do governo, câmaras, prefeituras, e teríamos estado de sítio de amplitude nacional.

Diriam: - Está ameaçada a segurança da pátria. Oportunistas querem derrubar as instituições e a plena democracia que este país ora outorga!

No entanto, diante dos atos não direcionados a eles; a classe política tira o corpo fora, literalmente. Como se diz na gíria: Não é com nós!

A opinião pública exige obra repressiva contra quem debilita a ordem. É o direito. Quer justiça. Esse é o caso. Porém, o caos está formado faz tempo. O momento, agora, embora pareça absurdo, é de reflexão.

Vejamos o que temos em São Paulo, onde ocorre o fato, a maior cidade da América Latina.

O governador deixa o cargo e concorre à presidência da república. O recém empossado prefeito abandona o afazer constituído pelos votos das urnas, e se proclama sucessor a governador.

Em seus lugares, outrens. Conhecem a palavra outrens? Soa estranho. Assim, como, os indevidos herdeiros governamentais, da capital e estado.

Ganhos ultrajantes, vindos do sagrado imposto pago. Que os permitem viver bem a vida, a custa de cargos eletivos; ou não? E quando reprovados no referendo popular, há sempre um encaixe em premiadas funções.

Vaidades, interesses pessoais, ou amor ao Brasil?

Retornando a briga, revolta, rebeliões deflagradas em cadeia na metrópole paulista. Soldados morrem. Adversários morrem. Todos, vítimas de uma guerra que não criaram. De um sistema político social econômico ineficaz. Em solo brasileiro, covarde e mesquinho combate civil urbano.

Ataques aos prédios de instituições bancárias? Coisa que não agrava prejuízo à soma de tantos milhões de lucros.

Ficasse na simbologia de um protesto justo. No dano material de argamassa. O sangue gera sangue, retaliação pela parte mais forte.

Os ônibus feito alvo - haja acertos embaixo do pano desse transporte coletivo – cuja vítima é o povo que sofre com o constante horror sobre rodas. Povo brasileiro, e São Paulo é a terra dos brasileiros que aqui se instalam. Os humildes, em busca do trabalho e sonhada dignidade.

Ai, a vida perdida dói. Ah, se dói. Não para quem morreu, mas para quem fica na saudade. Quem são os inimigos dessa batalha sem trégua?

Em forma de punição, os desmandos da nação, mais uma vez, recaem sobre os ombros de quem segura honestamente o rojão dos afazeres. Daqueles que em parecidas diferentes situações lubrificam, alimentam e conservam a máquina constituinte, diariamente. O povo é um joguete sob o bastão da sociedade dominante. Seja quem dê a carta. Já disse Machado de Assis: “O chicote é melhor pra quem tem na mão o cabo”.

Pcciiiu e buum! São Paulo calou os motores. Parou indignada. Pela ação e reação. Nada justifica agressão. Roeu-se a corda, e não foi o rato. Quem sabe, o rei de Roma. Ai! A arrogância do poder, e quem dele mui usufruem.

Sanguessugas, delfins, lalaus, anões, catedrática reeleição, mensalões, casas de dindas e ribeirões. Políticos e empresários, responsáveis pelo porvir...

Fez-se poderosa a voz dos excluídos, temeroso clamor de segunda feira, o medo calando escolas, baixando as portas de empresas e comércio...

Recolhem-se, desconfiados, os não incluídos, habitantes da sofrida periferia.

Já de costas ao balcão, ouvi alguém falar com certa propriedade:

- Lá na parede da cela, entre as grades da prisão, um sujeito escreveu assim: nem todos que aqui estão são, e nem todos que são aqui estão!



16 maio, 2006

O Romance

Esta obra pulsa como as favelas brasileiras nos dias de domingo, onde circulam Vander, Casquinha, Sandrão, Vladi e Nego bá.

Toda a história foi inspirada na vida real, porém, inventada pela alta capacidade de fabulação do autor; um jovem escritor de 22 anos, morador da periferia de São Paulo.

Valor: R$ 20,00

Contatos: (11) 4747-4180 / 8325-2368

e-mail: sacolagraduado@bol.com.br



15 maio, 2006

Informes

Ação Educativa lança oficina de Romance
27/05 (sábado) - das 14h às 18h Oficina de Romance/Prosa

Romance: Curiosidades, sua produção e técnicas de construção!

Por que escrevemos?

O prazer e o exercício da leitura: livro difícil de ler, insistir ou

abandonar?

Só escreve quem lê.

Técnicas e macetes para a produção de um texto.

Escrever bem não é um dom: aprende-se a redigir.

O processo de criação de um romance.

Coordenador: Ademiro Alves (Sacolinha), escritor, autor do romance “Graduado em Marginalidade”, e do livro de contos “85 Letras e um Disparo”. É graduando em Letras pela Universidade de Mogi das Cruzes.


Serviço:
Ação Educativa
Centro de Juventude e Educação Continuada
Rua General Jardim, 660 - CEP: 01223-010
São Paulo - S.P
(11) 3151-2333 ramais 153, 165, 171
centro@acaoeducativa.org
www.acaoeducativa.org

Cooperifa em Suzano

No dia 05 de maio de 2005 a Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa) esteve em Suzano apresentando o seu sarau. Neste ano a segunda edição acontecerá no dia 24 de junho, às 20h, no Centro Cultural de Suzano.

Agende-se.

13 maio, 2006

Nova Crônica

Aldebarã

Marco Pezão

Existem fatos, momentos de vida, que, para sempre, ficam gravados na memória. E, por mais que, o cotidiano nos preencha com tantas imposições, num estalo de tempo, aquela antiga imagem se principia novamente em nossa mente.

Lembro-me como se fosse hoje. Terminamos o jantar, uma canja de galinha saborosa feita pelas mãos dela. Ela que conhecia a arte da transformação dos alimentos e seus condimentos.

Comemos, conversamos, e rimos de acontecimentos. Falamos das notícias veiculadas no jornal, que, todo dia, eu trazia da banca. Assim, o noticiário do rádio e tv, que, ela, invariavelmente, se mantinha informada. Também as preocupações do presente e futuro da humanidade fizeram parte daquela conversa; que eu nunca podia imaginar estivesse tão perto de um ponto final.

Depois de assistirmos a novela preferida, nos preparamos para dormir. Estava deitado quando a voz sufocada chamou o nome da companheira, que, de imediato, se dirigiu ao quarto contíguo. E num assombro me chamou depressa.

Vi minha mãe encostada na parede. As mãos sobre o peito, delirante. A palidez tomando conta da cor. A falta de ar. Ficamos assustados e a colocamos na cama. Ai! As perguntas inconseqüentes sobre o que sentia; quase não se podia ouvir a resposta. O que fazer?

Relembro sua última frase, como súplica: “Jesus me ajude”. E eu respondi, sem pensar: “Ele vai ajudar”.

Dito isso, expirou. A alma havia deixado o corpo inerte. E, sofro, e irei sofrer até o fim dos meus dias, por não ter tido o poder de lhe restituir a vida.

Minha mãe morreu em meus braços, e jamais poderei desassociar esta dura realidade enquanto viver.

Dela, porém, vi transferido em mim, o gosto pela leitura. E o hábito de folhear as páginas dos livros, me deram a impressão de tê-la viva ali nas letras impressas. Os livros, por estranho que possa parecer, se tornaram minha segunda mãe. Eles me fizeram compreender as aflições e revoltas. Procriaram o entendimento exterior e interior, na busca do prazer e saber.

Porém, a compreensão nem sempre assoma de imediato. E, entediado ou mesquinho, afastado de tudo e todos, andei por descaminhos a explorar tormentos desnecessários, ou necessários, quem sabe, a me fazerem tornar ao ponto de origem.

E, passado anos, quando a idade agora pesa em meu ser, retomo um capítulo e leio estranha palavra: Aldebarã!

Procuro o significado. Aldebarã é termo místico querendo dizer em secreta e antiga língua nativa; o equivalente ao esquecimento das mágoas. Ou ainda, Aldebarã é alegria amiga. É a calma da noite onde repousa o firmamento, e é a poesia que cala os poetas. Aldebarã são flores que perfumam o caminho do amor, as quais teimei não colher.

E ao sabê-lo estou diante dela, minha mãe, a incutir força neste meu atual estado entristecido, que se vê de recordações dilacerado.

E a palavra lida soa como meiga sugestão:

- Aldebarã é nova esperança. Acredite, viva, meu filho!

12 maio, 2006

à 4 mãos

O conto abaixo foi escrito por quatro escritores. Confira o resultado.

Quem lhe dera fosse apenas um pesadelo!

I

A intenção daquele homem era de sair do serviço, chegar no bairro e tomar uma dose de bagaceira. Depois, em casa, tomar banho gelado. Jantar e dormir profundamente.
Mas, aquela prostituta da Praça da Sé, mudou todo o seu pensamento. Pensamento voltado nas duas grandes coxas bronzeadas, corpo gostoso, seguido de seios naturais, ou de silicone? Sabe-se lá.
Agora a intenção é de se refugiar no quarto com essa mulher da vida e esquecer tudo o que aconteceu neste dia... E o que ainda está por vir. Ejacular o esporro que levou do patrão hoje de manhã, o fim do seu casamento, a infertilidade que o impede de ser pai e tudo o mais.
Já está fodido mesmo! O que importa ficar fodido e meio gastando o que tem no bolso, com essa mulher.
Entraram no hotel ao lado da catedral. Ela ia pensando na grana e, ele, apenas tentando se concentrar.
Os 30 minutos pagos por Juvenal, passaram... E, agora, ele, homem de 37 anos de idade caminha relaxado em direção a estação do metrô. Indiferente aos meninos cheirando cola de sapateiro no escadão da igreja. Indiferente aos mendigos pedindo esmolas com garrafas de pinga nas mãos. E, indiferente, aos comércios que abaixavam suas portas.
A noite estava apenas começando...

II

Juvenal embarcou no metrô sentido Itaquera, desceu no Brás e seguiu seu caminho. Queria tomar uma pinga, mas, no comércio dentro da estação, no trecho que liga o metrô ao trem não vende bebida alcoólica.
O prazer do sexo que fez com a garota de programa estava indo embora e no seu lugar vinha um sentimento confuso sobre o fim do seu casamento. Abalado, por que sua mulher queria filhos e, ele, não podia ter. Mas isso não justificava, ela ter lhe trocado pelo Milton; seu amigo de infância. Bateu uma tremenda dor de corno, e Juvenal queria vingança ou se acabar de beber nesta noite.
O povo anda apressado e, ele, viajando na maionese, atrapalha o caminho.Uns trombam com ele. Outros reclamam. Até que Juvenal chega no trem, encosta numa porta fechada, e fica imaginando o que fazer? Se sentiu mal de ter aceitado, calado, as ofensas que recebeu de manhã do patrão. Devia ter respondido. Pedido a conta. Mas, calou, humilhado. Ele agora tinha certeza. Era um fracassado, e por isso fora abandonado pela mulher que tanto ama.
Ficou olhando os rostos das pessoas, naquela composição velha que segue sentido Calmon Viana. Ele irá desembarcar em Itaquaquecetuba.
Em cada rosto um olhar cansado. Parece que ali só tem gente com problemas. Ninguém sorri. Ninguém se destaca na multidão, a não ser uma garota. Extremamente bonita, e que está sentada longe. Ela lê um livro, e nem dá bola para o restante daquele povo. Ela parece um ser superior.
Passa um camelô, e Juvenal compra uma cerveja. Confere o dinheiro, e o pouco que tem é suficiente para se embebedar. Foda-se o trabalho. Amanhã, irá faltar. Pensou que poderia comprar umas pedras de crack, e como nos velhos tempos esquecer seus problemas.
Toma a cerveja, decidindo o que fará em Itaquá.

III

Juvenal se sente no próprio navio negreiro dentro desse trem; embora nunca tenha lhe passado pela cabeça o que fora um. Também, pouco importava o sofrimento dos outros, quando, ele parecia carregar as dores do mundo.
Bebe um gole da cerveja quase sem gelo, e sente o gosto amargo da solidão apesar do trem estar super lotado. Na cabeça, o pensamento percorre no trilho do seu dia de merda que não consegue esquecer. O patrão, a puta, a cachaça, a vida miserável que leva, tudo ao mesmo tempo e na mesma velocidade com que a vida passa pela janela.
À sua frente uma mulher implica com a criança que se inquietava no colo. Pensou na criança como seu filho, e que a mulher jamais ralharia com ele. Mas lembrou que não pode ter filhos, e que não tem mais mulher. Bebe outro gole de cerveja e o álcool incita o ódio que cresce em seu coração.
Pensa na mulher do livro, alheia ao mundo. E a vê com olhos de quem a despiu inteira. O suor nas mãos, só de pensar nos seios dela.
Mais ao lado, um gordo segura uma bíblia. Mas, não lê, talvez, porque, já saiba tudo de cor ou descansa sua fé por um instante. Impotente, Juvenal não havia pensado em Deus durante todo o dia. Talvez nunca tenha pensado. Foda-se, pensou: “O gordo acredita nele mais do que eu, e está no mesmo trem! Então, foda-se mesmo!”.
Ficou surpreso com a coragem desafiando o divino. Não enfrentou o patrão, mas enfrentava Deus. A cerveja acabou.
As estações ficando para trás. Mas o futuro não saía da cabeça, e o trem lotado de gente que mais parece ir para o cadafalso. O trem parecendo o quarto de despejo da sociedade. A gostosa lendo o livro. A criança chorando, a bíblia do gordo, o patrão filho da puta. A puta, o camelô que sumiu e tudo mais girando em sua cabeça na velocidade da luz.Tudo ali num imenso furacão e ele só conseguiu murmurar: “Amanhã eu não vou trabalhar”.
Na confusão dos pensamentos lembrou-se de Milton, seu ex-amigo, agora com sua ex-mulher, e se arrependeu de não tê-los matados quando teve oportunidade. A essa hora, a vagabunda da mulher deve estar acariciando o safado com a ternura que lhe subtraiu. O camelô retorna ao vagão, e ele pega outra cerveja. Agora mais quente que a primeira.
Em pé, uma senhora esfrega-lhe a sacola em seu rosto à espera de uma gentileza e só o que ele pensa é: “Se encostar de novo derramo a cerveja nela, não se pode nem sofrer em paz”!
A gostosa tira os olhos do livro, para ver se a estação está perto. - “Quem sabe...”, pensa ele - Mas a rainha da literatura apenas passa os olhos sem descansar nos dele, aliás, olhava pra todos, mas não enxergava ninguém. Arrogante, foi assim que a definiu. Imaginou-a nos braços recitando um trecho do livro e, ele, afagando-a. Os seios sob a blusa. Esse pensamento lascivo quase o tira da solidão, mas o trem pára bruscamente numa estação esparramando no chão esse único segundo sem dor, desse dia infernal.
Nesse momento, chegou a conclusão que o inferno só poderia ser um trem a caminho de casa; depois de um dia fodido de trabalho. Ali, remoendo sua mísera existência desconfiou que o condutor seria o próprio demo em pessoa. Discretamente, fez o sinal da cruz. Mas, esquecera que minutos atrás ofendera o senhor e, provavelmente, não teria proteção divina. Sem Deus, nem diabo, o destino agora estava por sua conta.
A criança dormiu, a mulher do livro parece não trocar de página e Itaquaquecetuba se aproxima.

IV

Na chegada das luzes da cidade, Juvenal, por um momento, se distraiu e recordou antiga passagem de infância...
Sentados no banco, ele e o pai retornando com as compras. O rosto pequeno colado no vidro, contando o brilho das lâmpadas nas extremidades dos postes de madeira que vinham e se perdiam seguidamente. Juvenal segura pequenos embrulhos, no colo mirrado. Presentes às duas irmãs mais velhas.
O "velho", assim o chamavam, com sacolas entre as pernas envolvia nos braços um boneco inflável, cheio, enorme! Do tipo "João Teimoso", daqueles que nunca ficam deitados. Por mais que apanhem, tombem, voltam a ficar em pé. Em meio ao vácuo da saudade se viu feliz.
Ouviu o mesmo som do apito anunciando a chegada. O mesmo freio de ar. A mesma plataforma, mas, a expectativa, agora, é diferente. Olhou ao lado e não havia ninguém. As pessoas aglomeradas à porta de saída. Sentiu vontade de se deixar ficar. Desejou que o trem continuasse viajando eternamente. Em seu íntimo, o pavor de sair dali; ultrapassar a catraca e chegar na rua.
Sentindo certo torpor ficou observando a noite tingir o céu de estranha pintura. Estrelas cintilando o centro global. Nuvens densas e escuras recobrindo o horizonte no sul e oeste, crescendo a leste. Ao norte, o azul infinito. O dia se fez quente, agora o frio de outono abrangendo conotações de inverno. - Será que vai chover? - Na calçada, Juvenal olhou o tráfego intenso. Os faróis e buzinas. Indeciso, qual rumo tomar? Atravessar a avenida? Descer até o largo? Ou parar no bar da praça? O relógio no pulso, presente da ex mulher por ocasião do noivado, agora o irritava. Em desprezo a essa vaga lembrança cuspiu no chão. - Maldita! - falou entre dentes. Os ponteiros marcavam 20h45.
Se deixou levar por impulso e em uma barraca próxima da estação pediu bagaceira. - Bagaceira? Não tem, respondeu o homem.
- Então me dê uma cachaça com limão - Contou o minguado dinheiro. Sobravam R$ 8,00. Dava pra tomar outras. Ficaria bêbado, legal.
O gole absorveu meia dose. Sentiu queimar por dentro e um calor instantâneo vaporizou a mente. A conversa rolava entre os fregueses, mas, Juvenal, mantinha o olhar dirigido ao recanto ao lado; a uma pontiaguda faca, onde o sujeito desossava um porco expondo as partes sobre o balcão. Sorveu um pouco mais da cachaça, deixando um resto para depois de acender o cigarro. Os olhos grudados na faca manuseada pelo homem que limpava a barrigada. Em seguida, com um golpe de machado separa o pernil. A canção no rádio chamou sua atenção: "Pelo amor de uma mulher eu mato. Eu morro”. Estranha química. Nas partes destrinchadas viu Dora, e o amante. E, ele, Juvenal, os esfaqueando, os esquartejando. Milton, gemendo. Dora sangrando. Sentiu o prazer dos golpes e o sangue brotar das vísceras: - Malditos - Bebeu o restante da pinga e seguiu caminho.
Percorrendo paralelo ao muro que circunda a linha do trem, os estranhos pensamentos o atormentavam:
- Vingança - bradava seu interior. O cérebro projetando imagens. Como num filme, Juvenal se via com um revólver na mão. Disparando contra o peito do patrão, suplicante...
Em seguida, arrombando a casa onde até um mês atrás, ele, Juvenal, reinava. E, naquele instante, viviam os desafetos de seu amor próprio. Gozando na cama onde tantas vezes, ele, Juvenal, a amou, sinceramente.
Os tinha em mente, nus. Rindo dele, felizes. E, na aparição, ele, Juvenal, de arma em punho. Ameaçador, os faz ficar de joelhos pedindo clemência. Punição, repetia a si mesmo. E os tiros, um após outro, mortificando a desesperada paixão. Terminou a débil narrativa, esvaziando novo copo.
Aguardando o sinal pra cruzar a linha do trem, sua alma estremeceu com a velocidade dos pesados vagões carregando centenas de vivas fotografias. Imaginou-se suicida. Ter o corpo dilacerado sob as rodas de ferro seria uma forma de autopunição, de acabar com todo o sofrimento. Viu a locomotiva sumir no meio da noite, e continuou a solitária marcha.
Juvenal sempre foi um cara reservado. Concluiu somente o curso primário. Aprendeu a profissão que exercia, mecânico de manutenção, na montadora de carros onde trabalhou durante oito anos. Época boa. O salário recebido permitia almejar um futuro promissor. Porém, com a morte repentina do pai, sua vida começou a se tornar nebulosa. A mãe, passado algum tempo, iria morar na Vila Nhocuné, em São Paulo, com a irmã já casada. A outra, a mais velha, formada professora, havia se mudado para o interior paulista.
Devido ao trabalho, Juvenal permaneceu em Itaquaquecetuba. Sozinho, começou a beber com mais freqüência. Sem ter consciência do fato, flagelado espírito o incomodava.
Saía com os colegas de trabalho para curtir a noitada, mas pouco se divertia. E numa dessas baladas, os companheiros o apresentaram ao mundo das drogas. Com o uso, sentiu-se super. E querendo cada vez mais sentir a surpreendente empolgação, o vício o absorveu. Deixou de ser aquele empregado responsável, e problemas na empresa surgiram. Então, para esquecer os problemas, ele fumava. Queimava... Aos 28 anos, foi despedido.
Só se deu conta do estrago causado e o tempo perdido, quando conheceu Dora. Balconista que o serviu, na compra de uma camisa. Atenciosa, despertou em Juvenal algo nunca sentido. Enamorou-se. Havia recebido a indenização, tinha recurso no banco. Procurou a família, resolvido vender a moradia. Queria esquecer o passado recente. Venderam, e a mãe lhe deu parte do dinheiro. Dona Joana, que, embora distante, sabia do problemático desvio de Juvenal, aconselhou: "Não deixe de procurar a felicidade. Ela existe. Basta perceber".
Levado pelo encanto, Dora percebeu a vulnerável capa. Juvenal comprou calças, meias, cuecas, pagando a vista; só para impressioná-la. Dora deu a colher de chá esperada.
O convite para comer pizza. Começaram a namorar. Envolveram-se. Surgiram planos, e juntando as economias compraram uma casa. Casaram-se. E viveram agradáveis passagens. Desfeitas ao fim de oito anos, e, que, hoje, martirizam Juvenal.
Passava da meia noite e os depressivos passos aventuram-se nos degraus da escada, em número de seis, até chegar na porta de entrada de sua residência. Resistência de habitação coletiva, antigamente curtiço. À Juvenal cabe o aluguel de um quarto, cozinha e banheiro; juntamente com mais nove locações divididas no mesmo quintal.
Ali mora desde a separação. Juvenal teve que mudar. Pra tirar Dora, da casa onde residiram, só matando. - Milton filho da puta!
O ranger da porta. Acesa a cozinha, maior tristeza. Um fogão de segunda, comprado com o armário que estava no chão; esperando por ser pendurado. Louça por lavar. Apoiou-se na cadeira, olhou em torno. Restos de comida, pratos sujos em cima da mesa. Tudo rodava. Parou na entrada do quarto. A cama desarrumada. As roupas espalhadas, amontoadas ao canto. Solidão imensa se apossa de Juvenal. Ele deitou e chorou copiosamente.
O patrão não pode ser odiado pela bronca. Fora merecido. Juvenal esqueceu de desligar a máquina de solda e os cabos tinham se derretido. Dora também não era culpada. Juvenal sabia do desejo de ter filhos. Quando souberam de sua infertilidade, o médico receitou tratamento. Podia estar curado em alguns meses, um ano...
Talvez por sentimento egoísta, de não querer dividir Dora com ninguém, mesmo com um filho; ou quem sabe desleixo, Juvenal não se incomodou com o problema e enrolou a solução. Deu no que deu.
Não havia de matar. Pelo menos, então, morrer aos poucos. Assim, agonizante igual ao que sentia naquele momento. Em que o mundo parecia desabar do teto imóvel sobre ele. O veredicto o apontava culpado. Adormeceu profundamente.
Quem dera explicar as tramas do subconsciente. A imagem do boneco João Teimoso vagou nos olhos cerrados. Deitando e levantado. Caindo pra ficar em pé. Constante movimento... A respiração tensa tornou-se tranqüila e nem os latidos dos cães próximos à janela, ou o miado dos gatos sobre o telhado, foram capazes de acordá-lo.
Às cinco horas, os relógios das locações vizinhas, feito sinfonia, despertaram o amanhecer. Na porta, ouve-se batidas e voz feminina. "Juvenal, Juvenal! Acorda, homem. Vai perder a hora".
Demorou alguns minutos até entender o chamado. Zonzo, girou a fechadura e o ar da manhã soprou-lhe no rosto cheiro bom.
Ângela, vizinha da casa em frente, declara sonoro - Bom dia!
Mesmo com a cara inchada, a cabeça pesada, e as vestes do dia anterior amarrotadas. Ainda assim, Juvenal ouviu um galo cantar, distante.
Vestindo claro roupão de banho levemente molhado, colado ao excitante corpo, os cabelos curtos e respingados. Olhos grandes e castanhos. Os seios querendo saltar pra fora do tecido úmido. Ângela, negra. A tez, negra, negra... O sorriso alvo. Alvíssimo. Feição forte exalando beleza. Simpatia. Delirante perfume.
Sonolento ou atordoado pela visão concebida, Juvenal respondeu: "O que aconteceu?".
- "Ô Juvenal, empresta duas colher do pó de café. A água tá fervendo e só agora percebi que acabou".
Procurou no deslocado armário e, em seguida, diante dela, entregou o pote: "Use, depois você devolve".
Ângela falou:"Se agita, homem. Senão, você perde o tempo do trem". Ó palavras saídas daqueles lábios carnudos. Sorrindo tornou à porta defronte, separada por dois metros de cimentado.
Juvenal no banheiro, olha-se no espelho. Se despe, e, na água do chuveiro busca o fio de agonia sentida, ontem. Ao inverso: Juvenal sentiu dentro de si, estremecimento. Enquanto se ensaboava lembrou do sonho, e não soube distinguir o significado. Tentou escovar os dentes e ânsia de vômito do âmago aflorou. A vaga lembrança de Dora escorreu azeda boca afora. A puta, Milton, o patrão, foram-se noutra golfada...
Invadindo, o cheiro do café passado no coador e o doce cantar se prolongando: "Vem meu preto, quero sentir teu corpo. Dar meu colo. Me banhar, te enxaguar de prazer". O rastro...
Juvenal estava vestido quando colocou no pulso o relógio dado pela ex-mulher; eram 5h45. Saiu à porta. Olhou as plantas fortalecidas em oxigênio, aguardando o sol. Tirou do maço, o cigarro. Antes de acender, por costume, o socou na unha três vezes e o segurou no canto esquerdo da boca. Em quietude, ouvia o cantarolar de Ângela: "Vem meu preto, quero sentir teu corpo..."
Viu, humilde flor despontando no vaso mal cuidado. Retirou a erva daninha à sufocá-la. Surpreendido, pensou em Deus. No pai, no trem, no João Teimoso teimando em ficar erguido... A mãe e o eco: "Nunca deixe de procurar a felicidade. Ela existe. Basta perceber...”
- Está esperando o café pra acender o cigarro?
Meiguice que o fez refletir por um instante nos pesares vividos; bom se fosse apenas um pesadelo. Não o é. É a realidade. "A realidade existe para ser transformada", pensou firmemente.
Segurando a asa da xícara, Ângela falou:
- "Se demorar, vai esfriar".
Acesa a chama. A fumaça do cigarro contrapondo ao aroma de ar fresco. Seguiram ao encontro dos primeiros raios de luz. Há vida em movimento. Um novo dia começou...

Autores deste trabalho:
Ademiro Alves (Sacolinha),
Alessandro Buzo, Sérgio Vaz e Marcopezão.

20:15 14/05/05

Agenda

COOPERIFA NO PROGRAMA CENTRAL DA PERIFERIA

Sábado tem poetas da Cooperifa no programa Central da periferia apresentado por Regina Casé.A Cooperifa contribuiu com o programa apresentando alguns poetas que participaram do recente cd "Sarau da Cooperifa" que reúne 26 autores que participam do projeto.
13 de maio Sábado 16 hs


SARAU DA COOPERIFA NA PINACOTECA

Pinacoteca do Estado na II Virada Cultural de São Paulo
Dia 20 de maio de 2006.·

Às 18h, apresentação do flautista e funcionário da Pinacoteca Toninho Tímaco, com repertório de música brasileira.·

Às 19h: Sarau de Poesia da COOPERIFA·

Às 21h: Taking Place of Surface – Apresentação do projeto Müvi, de música eletrônica, com a dupla de artistas e pesquisadores Fabio Villas Boas e Ricardo Carioba, finalistas do 10º Festival Cultura Inglesa.·

Às 22h, apresentação dos grupos Periafricania e Versão Popular, ambos grupos de rap, e Preto Soul, com repertório de soul music brasileira.

Das 10 às 17h: II Mercado de Livros – Publicações de arte com até 60% de desconto.
Pinacoteca do EstadoPça da Luz, 2 – metrô Luz
fone 11 3229 9844
Estação Pinacoteca
Lgo General Osório, 66 – metrô Luz

COOPERIFA NO 9º FAVELA TOMA CONTA
OS POESTAS DA COOPERIFA VÃO SE APRESENTAR NO FAVELA TOMA CONTA
ITAIM PAULISTA, ZONA LESTE DE SÃO PAULO.
O evento organizado pelo escritor Alessandro Buzo já é referência cultural na cidade.
DIA 21 DE MAIO A PARTIR DA 14HS
Rua Antônio Castanha da Silva, s/nº em frente ao cdhu Itaim Paulista SP. 65679379
www.colecionadordepedras.blogspot.com

Sarau LiteraturaNossa Agosto 2017